domingo, 10 de janeiro de 2010

Anatomia Feminina

     Minhas amigas têm me perguntado de maneira reticente, há anos, a mesma velha e desgastada pergunta de sempre. Pois agora vou responder, e bem respondido, para que não me venham mais com esta pergunta. De qual parte da anatomia feminina eu gosto mais?
     Antes de mais nada, deixem-me esclarecer um equívoco comum. De que parte eu gosto mais, é uma coisa; o que me dá mais tesão, aí já é outra. O que me atrai mais, é uma coisa; o que me excita é outra. Não me venham taxar de hipócrita ou adjetivos afins, quando eu, então, responder ao tão realizado questionamento.

     Não seria exagero dizer que, em momentos passados, eu responderia algo que confundiria estas diferenciações. Imaturidade da juventude, posso-lhes assegurar. Mas, hoje, já vejo com clareza o que há a ser visto. Vamos de trás para frente. Não na anatomia, mas na ordem das questões. Quero dizer, vamos do que se espera ouvir, e, depois, à resposta mais apropriada para a minha verdadeira opinião.
     Anatomia? Normalmente, nesta pergunta, não se quer saber de anatomia, mas de sexo. De que mais gosto? É até difícil responder... Eu me considero até versátil. Não sou podólatra, mas acho lindos os pés de uma mulher. Dos macios e delicados, da moça urbana aos feridos e calejados de uma bailarina, compridos ou pequenos, todos podem ter seu charme.
     Pernas! Adoro as pernas! Desde aquele tornozelo bem torneado até quando acabam, nas proximidades de... Ah, já repararam que os joelhos costumam ser diferentes, de pessoa para pessoa? Pois é. Até isso pode ser belo numa mulher. Quem diria? Os joelhos, sim! E as coxas! Aí, sim! Uma coxa bem trabalhada, torneada, dura, carnuda, enfim, uma perna feminina. Hoje em dia, há muitas espécimes de pernas basicamente masculinas nas mulheres. Sou obrigado a admitir que esta nova corrente não me agrada muito. Mas pode ter o seu valor, há quem goste.
     Subamos mais um pouco. Barriga, vocês conhecem? O terror das moças, e mais ainda das não-moças que não se dão com seus anticoncepcionais. Mas, hormônios à parte, o maior vilão da barriga é a alimentação inadequada. E haja coca-cola! Pois bem, que seja. Quem vive a ditadura da barriguinha malhadinha é modelo, gente! Não estou dizendo que não é bom uma barriguinha sequinha; eu, mesmo, ADORO! Mas, há muito mais a ver numa barriguinha! Há aquelas completamente lisinhas, as que possuem uma discreta camada de pêlos finos e delicados, e até as que literalmente mostram o caminho para mais em baixo. Com delicadeza e um pouquinho de cuidado, a barriga pode ser um charme, mesmo que não seja um tanquinho. Ouviram, meninas? Cuidem-se, mas não se envergonhem de suas barrigas!
     Ah, estou até tentando ser compacto e claro, mas não dá! Vou, agora, apenas listar. As costas de uma mulher, os ombros (sim, os ombros! Se não fossem belos, não haveria tantos modelos a exibi-los), pescoço, a face, os cabelos, a maçã do rosto, orelhas, os seios da face, os seios (ah, um bom decote!), enfim... tanta coisa! A anatomia da mulher tem um encanto único! Ah, e, para não soar hipócrita, vou dar uma atenção à preferência nacional. As nádegas. Popularmente conhecidas como bunda, bundinha, bumbum. Que seja! É muito bom, não nego! Mulheres que o têm, sois felizardas, agraciadas por um bem genético que a malhação até pode ajudar a compor, mas não constrói completamente! Gosto, sim. Mas, começando a responder às perguntas, apesar de toda a mulher ser bela e especialmente atrativa, eu tenho que admitir. Há uma certa parte do corpo da mulher que, honestamente me parece muito injustiçada!
     Sim, muitos já podem ter compreendido. Outros, não, talvez. Mas, que a púbis, quer dizer... a genitália feminina, ela mesma, tem uma péssima fama, a de ser feia, isso é verdade. O que não me parece justo ou verdadeiro é que mereça esta fama, que em minha opinião se dá em parte devido a valores sócio-culturais, em outra à vulgar exploração de sua imagem pela indústria da pornografia. Sobra pouco para opiniões majoritariamente estéticas. É bela, sim. Em vários ângulos. Em algumas situações, chega a ser como uma flor delicada, o órgão (ou conjunto de órgãos) mais complexo e completo que Deus ou a mãe Natureza deu a uma de suas criaturas. Eu esperava escrever este trecho com mais poesia, como o tema bem merece. Talvez, o sono não me permita. Mas, afinal de contas, falávamos, ainda, apenas de atração, apenas de tesão. Então, de que, afinal, mais gosto na anatomia feminina?
     Entendam-me, quando digo que tudo o que até agora disse foi uma resposta às objeções à minha verdadeira resposta. A parte da anatomia feminina de que mais gosto são os olhos! Sim, claro, os olhos! Não me venham dizer que não é o que primeiro olho. Fico louco de incômodo quando uma mulher me atrai, e está usando óculos escuros! Fico querendo vê-los muito mais do que, como voyeur, me interessa ver decotes ou um lance. Gosto de admirá-los, mesmo quando a garota não me interessa. Os olhos são encantadores, são belos e verdadeiros. Olhos que sorriem, olhos distantes, olhos de ressaca, como os de Capitu... Olhos! É o que acho que há de mais belo e perfeito na mulher.
     Mas, a maior razão pela qual eu amo os olhos é que, com toda a divina perfeição que somente à mulher a criação atribuiu, há algo que supera, ultrapassa todos os demais caracteres que a formam. É a alma feminina! Este espírito de doçura, delicadeza e inteligência que nós, homens, nunca teremos, é o que acho mais belo na mulher! "Mas isto não é parte da anatomia feminina!" objetará alguém menos perspicaz. Desculpe-me, se eu falava de você, caro leitor, ninguém ficará sabendo se você não o disser. Não faz parte da anatomia, claro, concordo. Mas é lindo como os olhos são capazes de transparecer tudo, e denunciar o que há por trás daqueles seios siliconizados e daquele físico escultural malhado por horas a fio todo dia na academia. São os olhos que revelam quem você realmente é, e a sua beleza a cada dia mais me encanta. "As janelas da alma", segundo a sabedoria popular. É verdade!
     E isso, para ser mais sincero ainda, não é só o que acho de mais belo na mulher. Quando o animal dentro de mim não está gritando desesperado por sexo, e eu penso com mais clareza, também é um olhar o que mais me excita, o que mais me incita à imaginação, e não a exposição do objeto que se tornou o corpo da mulher, abundante, em toda a parte, da forma mais vulgar possível.
     Respondida a pergunta?


Pablo de Araújo Gomes, 10 de janeiro de 2010