quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ne me quitte pas e Inspiração

     Tive, esta semana, um contato imediato de primeiro grau com a Música "NE ME QUITTE PAS", de Jacques Brel. Música com letra maiúscula, sim, no meio da frase, e porque acho que é pouco, quase escrevi todo o nome em caixa alta. Poesia com "P" maiúsculo, sem dúvida alguma! Fiquei surpreso e impressionado! Mas qual a razão de minha surpresa? De tanto que se ouve dizer que é bela esta canção, chega-se à conclusão de que é um modismo, ou senso-comum dizê-lo. E muitos o fazem sem fazer idéia do que ela diz. Sim, é de uma melodia extraordinária, em sua simplicidade, mas ele reservou o que havia de melhor para a letra. E, por isso, impressionado.
     E de tão simples, de tão bela, de tão ritmada que é esta obra-prima, caí novamente diante de um velho princípio, dogma ou sei-lá-o-quê sobre a alma do artista. Refiro-me ao fato de que a maior fonte de inspiração sempre foi o sofrimento. Os mais belos poemas, canções, espetáculos teatrais são e foram, em geral, forjados num momento de intensa dor. Não é que outras fontes não existam, mas a capacidade de criar gerada pelo sofrimento é tal que, muitos, quando não estão sofrendo, forjam um sofrimento, para alimentar a própria alma.
     Não creio que tenha sido uma necessidade para Jacques Brel, quando da criação desta sua obra-prima (ele tem outras belas músicas, como esta, mas nenhuma tanto quanto esta). Parece-me, segundo pude ler em mais de uma fonte, que ele estava vivendo uma sofrida separação, e não queria se separar. Se ele foi cavalheiro ou se foi xarope, não sei. Mas que ele escreveu um dos mais belos poemas, que ele compôs uma das mais belas canções, nem Suzanne Gabrielle poderá, jamais, negar. E ela talvez tenha, até, algum orgulho de tê-lo feito sofrer. Pode? É claro que pode!


Pablo de Araújo Gomes, 25 de junho de 2009



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